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Agostinho da Silva
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Dedicou toda a vida à liberdade do Homem e do Espírito. Fundou universidades, percorreu o país com palestras abertas a todos. Falava 15 línguas e não perdia os desenhos do «Calvin». |
Agostinho da Silva nasceu no Porto em 1906 e
cresceu em Barca d'Alva. Na faculdade de Letras do Porto conclui a
licenciatura em Filologia Clássica com 20 valores e o doutoramento com o
«maior louvor». Uma bolsa de estudo leva-o até à Sorbonne e ao Collège de
France. Agostinho torna-se efectivo do liceu José Estêvão em Aveiro, em 1933. Entusiasta, empenha-se muito para além das funções que lhe eram exigidas. «Tinha criado, por exemplo, uma caixa de apoio aos estudantes» mais pobres e outras acções «incómodas» aos olhos do Estado Novo, explica Helena Briosa e Mota, que está a concluir uma tese de doutoramento sobre Agostinho da Silva e o processo PIDE. Os textos sobre o desenvolvimento cultural e educativo do país, que divulga nas revistas «Labor» e «Seara Nova», também inquietavam Salazar. Apenas dois anos depois de entrar para o ensino público, o professor é exonerado, por se recusar a assinar a Lei Cabral. Um documento onde tinha que jurar não pertencer a nenhuma sociedade secreta. Para além de Agostinho, só houve mais duas pessoas a dizer não: Fernando Pessoa e Norton de Matos. |
| Perseguido pelo Estado Novo | |
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Desempregado, Agostinho da Silva começa a
dar aulas no ensino privado e explicações particulares. Mário Soares, mestre
Lagoa Henriques, Manuel Vinhas, os irmãos Lima de Faria foram apenas alguns
dos seus pupilos. «Dava aulas de Filosofia, Cultura Portuguesa, Direito. Era uma homem perfeitamente pluridimensional», salienta Helena Briosa. Para além disso, falava 15 línguas e dois dialectos africanos. O professor inicia também uma série de palestras públicas, de Norte a Sul do país. E começa a publicação dos seus famosos cadernos de iniciação cultural, sobre áreas tão diversas como religião ou arquitectura. No total 120 cadernos foram escritos e editados por Agostinho da Silva, entre 1937 e 1944. Foram os cadernos «O Cristianismo», editado em 1943, e «Doutrina Cristã», 1944, que abriram um fogo-cruzado entre Agostinho, Igreja e Estado Novo. «Deus não exige de nós nenhum culto (...). Todos podemos ser sacerdotes, porque todos temos capacidades de Inteligência e de Amor (...) Estão ainda longe de Deus, de uma visão ampla de Deus os que fazem consistir o seu culto em palavras e ritos (...)», lê-se numa das passagens do texto. Mesmo exonerado, Agostinho da Silva incomodava. Depois de muitos duelos travados na imprensa com personalidades como o padre Raul Machado, da Universidade de Lisboa, ou o cardeal patriarca de Lisboa, Agostinho acaba preso na cadeia do Aljube. A sua biblioteca é confiscada e inventariada. |
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| Brasil, à procura de uma nova liberdade | |
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Cansado de Portugal, Agostinho parte para o
Brasil, onde deu continuidade à sua «missão» de divulgador cultural. No outro lado do Atlântico, participou na fundação de universidades e centros de estudo, sobretudo fora dos centros urbanos: a Universidade Federal de Paraíba, a Federal de Santa Catarina, a Universidade de Brasília, o Centro de Estudos Africanos e Orientais da Universidade Federal da Baía. Helena Briosa conta que Agostinho, com o seu optimismo quase desconcertante, repete muitas vezes «que o Estado Novo lhe fez um favor ao empurrá-lo para fora do país», dando-lhe oportunidade de divulgar a língua e cultura portuguesa em terras latino-americanas. Numa das cartas, que a investigadora leu à TSF Online, Agostinho faz referência a Fernando Pessoa, afirmando que se tivesse ficado em Portugal «seria provavelmente um triste e cabisbaixo cidadão sentado à mesa de qualquer café (...) pendurado no seu cigarro». |
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| Um abraço luso-afro-brasileiro | |
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Um abraço entre o povo português, africano e
brasileiro, foi um sonho que despertou em Agostinho desde novo. É a ideia de
uma Comunidade luso-afro-brasileira que partilha no IV Colóquio
Internacional de Estudos Luso-brasileiros, em 1959, na universidade da Baía.
No colóquio participa Marcelo Caetano (ainda como reitor e ex-ministro). Contrariando todas as ideias em que assentava a intervenção o homem que viria a suceder a Salazar, Agostinho lança para a mesa aquilo que considera os verdadeiros problemas das colónias africanas. «O futuro das ideias e das tradições em geral do mundo africano, a dignidade do indivíduo e a liberdade do homem, o impacto da civilização de carácter familiar sobre uma mentalidade fortemente tribal. E outro problema! Sabermos o que pensarão de nós no futuro milhões de africanos». Como representante do Brasil, cuja cidadania adquiriu em 1958, esteve no Japão, em Macau e em Timor Leste. Viagens, por onde fundou por exemplo, o Instituto de Língua e Cultura Portuguesa, em Tóquio, o Centro de estudos Ruy Cinatti e o Centro de Estudos Brasileiros, ambos Dili. |
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| Regresso a Portugal | |
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A chegada da ditadura ao Brasil, traz
Agostinho de regresso a Portugal, em 1969. Por cá, passa pela direcção do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e foi consultor do Instituto Cultura e Língua Portuguesa (ICALP). Inicia também um grande contacto com a Galiza e com a Catalunha. Nos últimos anos de sua vida, Agostinho da Silva tornou-se uma autêntica «estrela» nacional graças à sua participação no programa «Conversas Vadias» da RTP1. Este avozinho com espírito de miúdo conquistou milhões de portugueses que se colavam ao écran para o ouvir. Um ano antes de morrer, com 87 anos e oito filhos adultos, admite, em entrevista ao jornalista da RTP Luís Machado, que «é muito raro» ler jornais. A não ser o «Público», salienta, «mas é sobretudo por causa do Calvin». |
| Dedicou toda a vida à liberdade do Homem e do Espírito. Fundou universidades, percorreu o país com palestras abertas a todos. Falava 15 línguas e não perdia os desenhos do «Calvin». | |
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in : http://tsf.sapo.pt/online/ocios/interior.asp?id_artigo=TSF144622 |
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«Para expulsar o fel, mel mais doce que mel» |
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A OBRA |
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Bibliografia |
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- Sentido histórico das civilizações clássicas (dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto), 1929; Estudos sobre Cultura Clássica, org. de Paulo A.E. Borges, Lisboa, Âncora, 2002, pp. 45-109. - Breve Ensaio sobre o Pérsio, Lisboa, Ed. de Autor, 1929; Estudos sobre Cultura Clássica, ed. cit., pp. 17-44. - A Religião Grega, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1930; Estudos sobre Cultura Clássica, ed. cit., pp. 111-188. - Miguel Eyquem, senhor de Montaigne, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1933; Textos Pedagógicos, org. de Helena M. Briosa e Mota, Lisboa, Âncora, 2000, vol. I, pp. 39-128. - Glossas, I, II e III, Lisboa, Seara Nova, 1934; Lisboa, Ed. do Autor, 1945 (ed. revista e aumentada); Textos e Ensaios Filosóficos, org. de Paulo A.E. Borges, Lisboa, Âncora, 1999, vol. I, pp. 31-66. - A Vida de Francisco de Assis, Lisboa, Seara Nova, 1938; Lisboa, Ed. do Autor, 1944; Lisboa, Ulmeiro, 1994; Biografias, org. de Helena M. Briosa e Mota, Lisboa, Âncora, 2003, vol. I, pp. 25-82. - A Vida de Moisés, Lisboa, Seara Nova, 1938; Moisés e outras páginas bíblicas, Lisboa, Ed. do Autor, 1945 (ed. revista e aumentada; com Cinco Falas de Gente Pastoril); Lisboa, Ulmeiro, 1997; pp. 7-93; Biografias, ed. cit., vol. I, pp. 263-304. - A Vida de Pestalozzi, Lisboa, Seara Nova, 1938; Lisboa, Ed. do Autor, 1943; Textos Pedagógicos, ed. cit., vol. I, pp. 129-187. - Vida de Lincoln, Lisboa, Seara Nova, 1938; Lisboa, Ed. do Autor, 1943; Biografias, ed. cit., vol. I, pp. 205-261. - O Método Montessori, Lisboa, Inquérito, 1939/ 1991 (3ª); Textos Pedagógicos, ed. cit., vol. I, pp. 189-234. - A Vida de Washington, Lisboa, Inquérito, 1939, 2 vols.; Biografias, ed. cit., vol. II, pp. 9-88. - As Escolas de Winnetka, Lisboa, Ed. do Autor, 1940 (Iniciação: cadernos de informação cultural, 3ª série, 05); Textos Pedagógicos, ed. cit., vol. I, pp. 235-248. - Vida de Robert Owen, Lisboa, Ed. do Autor, 1941; Biografias, ed. cit., vol. 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I, pp. 81-82. - Vida de Lamennais, Lisboa, Ed. do Autor, 1943; Biografias, ed. cit., vol. III, pp. 9-73. - Considerações, Lisboa, Ed. do Autor, 1944; Considerações e outros textos, Lisboa, Assírio & Alvim, 1988, pp. 13-64; Ir à Índia sem Abandonar Portugal/ Considerações/ outros textos, Lisboa, Assírio & Alvim, 1994 pp. 49-90; Textos e Ensaios Filosóficos, ed. cit., vol. I, pp. 83-121. - Vida de Leopardi, Lisboa, Ed. do Autor, 1944; Biografias, ed. cit., vol. III, pp. 75-149. - Vida de Leonardo da Vinci, Lisboa, Ed. do Autor, 1944 (?); Biografias, ed. cit., vol. III, pp. 151-234. - Conversação com Diotima, Lisboa, Ed. do Autor, 1944; Textos e Ensaios Filosóficos, ed. cit., vol. I, pp. 123-170. - Parábola da Mulher de Loth, seguida de Policlés e de um Apólogo de Pródico de Ceos, Lisboa, Ed. do Autor; Lisboa, 1944; Lisboa, Ulmeiro, 1998; Textos e Ensaios Filosóficos, ed. cit., vol. 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Borges, Lisboa, Âncora/ Círculo de Leitores, 1999, 2 vols. - Textos Pedagógicos, org. de Helena M. Briosa e Mota, Lisboa, Âncora/ Círculo de Leitores, 2000, 2 vols. - Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira, org. de Paulo A.E. Borges, Lisboa, Âncora/ Círculo de Leitores, 2000/ 2001, 2 vols. - Estudos sobre Cultura Clássica, org. de Paulo A.E. Borges, Lisboa, Âncora/ Círculo de Leitores, 2002. - Estudos e Obras Literárias, org. de Paulo A.E. Borges, Lisboa, Âncora/ Círculo de Leitores, 2002. - Biografias, org. de Helena M. Briosa e Mota, Lisboa, Âncora/ Círculo de Leitores, 2003, 3 vols. - Textos Vários/ Dispersos, org. de Paulo A.E. Borges, Lisboa, Âncora/ Círculo de Leitores, 2003. - Agostinho da Silva: uma antologia, org. e apres. de Paulo Borges, Lisboa, Âncora, 2006. - Agostinho da Silva: ele próprio (transcrição de uma gravação realizada por António Escudeiro), Lisboa, Zéfiro, 2006. - Viva a República! Viva o Rei! Cartas inéditas de Agostinho da Silva, org. de Teresa Sabugosa, pref. de Paulo Borges, anexo de Artur Manso, Lisboa, Zéfiro. - Caderno de Lembranças, fixação do texto, transcrição, introdução e notas por Amon Pinho Davi e Romana Valente Pinho, Lisboa, Zéfiro, 2006. - Pensamento à solta: um manuscrito autógrafo, introdução, leitura paleográfica, fixação do texto, notas históricas e filológicas de Pedro Agostinho, Salvador da Bahia, EDUFBA, 2006. |
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| Sobre Agostinho da Silva. | |
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- Tradição e Inovação: sua unidade em Agostinho da Silva, Porto, C.A.D.A., 1996-1999. - Agostinho [da Silva], São Paulo, Green Forest do Brasil Editora, 2000. - I Ciclo Agostiniano (actas), Faial, Faialentejo, 2003. - Agostinho da Silva, um pensamento a descobrir, Torres Vedras, Cooperativa de Comunicação e Cultura/ Associação Agostinho da Silva, 2004. - II Ciclo Agostiniano (actas), Faial, Faialentejo, 2005. - Agostinho da Silva e o pensamento luso-brasileiro, org. de Renato Epifânio, Lisboa, Âncora Ed./ Associação Agostinho da Silva, 2006. - In Memoriam de Agostinho da Silva, org. de Renato Epifânio, Romana Valente Pinho e Amon Pinho Davi, Lisboa, Zéfiro, 2006.
- Agostinho da Silva, pensador do mundo a haver, Actas do
Congresso Internacional do Centenário, pref. de Paulo Borges, org. e
introd. de Renato Epifânio, Lisboa, Zéfiro, 2007.Belo, Maria Natércia
Ramos Duarte - Tempos de ser Deus: a espiritualidade ecuménica de Agostinho da Silva, Lisboa, Âncora, 2006.Briosa e Mota, Helena M./ Carvalho, Margarida L. S. - Uma introdução ao pensamento pedagógico de Agostinho da Silva, pref. de Manuel Ferreira Patrício, Lisboa, Hugin, 1996.Castro, Maria Teresa R.N. - Agostinho da Silva: naturalidade e transcendência no acesso a Deus (TM-UM), Guimarães, Editora Cidade Berço, 2005. Ellys [Elizabete de Almeida] - Raizes intemporais da vida e da alma de Agostinho da Silva, pref. de Jorge de Matos, Lisboa, Sete Caminhos, 2006.Epifânio, Renato - Visões de Agostinho da Silva, Lisboa, Zéfiro, 2006. Epifânio, Renato/ Borges, Paulo - Agostinho da Silva: pensamento e acção, Lisboa, Associação Agostinho da Silva, 2006.Flórido, José - Reencontrar Agostinho da Silva: o poeta e o poema, Lisboa, Zéfiro, 2006. - O Caminho da Afirmação/ O Caminho da Renúncia, Lisboa, Zéfiro, 2006. Lopes, Amélia dos Santos - A dimensão pedagógica e cultural de Agostinho da Silva, Profedições, 2006. Manso, Artur- Agostinho da Silva: aspectos da sua vida, obra e pensamento (TM-UM, 1998), Gaia, Estratégias Criativas, 2000. - Agostinho da Silva 1906-1994, Gaia, Estratégias Criativas, 2004. Pipa, Feliciano Pereira - Agostinho da Silva: comunicação e transmissão do saber (TM), Lisboa, UNL, 2000. Valente Pinho, Romana- Religião e Metafísica no Pensar de Agostinho da Silva (TM-UL, 2004), Lisboa, IN-CM, 2006 |
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